segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Poeminha da Descoberta.




Sem espaço para receios
me deixas
Mantendo-me perto, envolta em teus braços
Presa na vontade de ir um pouco mais além
Aquém da minha privada solidão
Casemos, pois, nossas surpresas,
encorajando nossa beleza,
e desvelando nossa timidez.
Seja minha água correndo da sede do que não fui.
Do que somos na nossa virtude de viver
Na nossa aventura
de um beijo trocado
um olhar velado
e veludo.
Todo meu ser incorrupto,
Transformo-me contigo,
Somos dança, alegria
Magia cotidiana na qual sonho
e meus olhos abertos,
só se fecham quando minha alma se lança
na tua
boca, alma, vida...

Por  Rafaelle Melo.



quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Esparr amando-se








Sem vontade alguma de negar e mergulhada em uma alegria escaldante, sorria. De si mesma e da bobagem de revisitar antigos contos de criança fada. Não bobagem de desperdício. Vivia sua descoberta e era por puro prazer que vivia. Encontrava o eco de seus desejos nas palavras daquele que viera de alguma parte do universo analógico ou digital, mas o importante é que chegara, trazendo sinceridades em um buquê fresco e colorido, desenhado em sua circunferência por um delicado invólucro de detalhes brancos. E o céu como espelho refletia o furta cor da oferta que se repetia ao passar dos dias, que mais pareciam anos, uma eternidade e só o início. Numa áurea envolta de bem estar, estavam. E iam permanecendo... Há, sobretudo, um mistério instigante, que para o coração de mulher trazia também receio. Era o medo do que era demais e que, por Deus, não podia esfacelar. Por isso ela cuidava, preservava-se como podia do êxtase que ele lhe causara. Ela sabia que estava mergulhando fundo, e gostava da sensação. Fechava a janela da retina e ia visitar campos floridos, mãos dadas, sorrisos... Via mais. Via verdade de um sentimento partilhado, sem arames farpados, sem meias palavras. Ansiava o encontro daquilo que já existia em um segredo mal velado, como se por um segundo, em avalanche, os sentimentos negassem-se o silêncio e esparramassem, para depois calar resguardando-se. Faltando palavras e sobrando vontade de dizer-se. E o tempo? Correndo no seu tempo, ritmado, possibilitando toda espera, todo querer... Aliado e diálogo comum, aos dois seres que já não negam que algo neles, tão deles, se encontrou. E não será mais igual.
Por  Rafaelle Melo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ter um corpo


(Vinicius Calderoni)



Presságio bom
Dia, flor e brilho.

Voltara a acreditar em um belo jardim, onde borboletas visitavam seus arredores,
onde a vida podia acontecer.

Mortes
de sementes.
Acordando toda vivificada
de frutos.

Em movimentos lentos
Espreguiçava-se para a beleza
Seu corpo todo energizado
Superfície, húmus
terra rasgada em um grito suave:

Enfim, tinha um corpo.

Por  Rafaelle Melo.