quarta-feira, 14 de março de 2012

Meta: morfosear.


Vi um casulo.
Vi a rudeza de seus contornos.
Doeu-me sua brutalidade de vida ,
E nada pude fazer.
Sufoquei-me como quem recusa o ingerido
- e fica ali mesmo, atravessado na goela.
Foi com dor que suportei,
nem sei qual força,
resisti.
Foi entre brechas.
Poros infinitos e incontáveis.
O que nunca deixou de ser vida,
Transmutava-se
A surpresa me ficou mantida,
desvelada
lentamente
Foi na crueza poética daquele dia
E mais um dia, e mais um dia.
Foi na firmeza do fino fio que preservava-me que deixei de ser,
Sempre sendo:
asas firmes,
casulo forte,
delicadeza.
Ressignifiquei a liberdade.

Rafaelle Melo.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Comunhão.


"A beleza da vida se multiplica cada vez que
a gente partilha com alguém que a gente ama.
Se você quiser multiplicar a vida,
você precisa dividí-la."

(Pe. Fábio de Melo
)


Há sabedoria em dividir e se deixar amar. E eu não precisei consultar gurus, apenas fiquei em braços que apontaram um caminho para dentro de mim. Uma estrada que paralelamente à florida transpassava minha humanidade. Ser gente é desafio que requer esmero. Cuidado que apenas corações sensíveis e minimamente atentos podem tocar. Gosto de cuidado. Meu grito de liberdade é exatamente este: ser tão minha sendo de alguém. Aceito-me. Selo comigo o compromisso. Limites. Delimitações. Espaços. Vazios transbordantes de essências raras. Acordar hoje foi decidir-me não permitir nada diferente da alegria, ainda que apenas aquela possível. Possibilidades são caminhos, sem atalhos e retornos, com seta para o infinito. Tudo. Pleno. Infinito: nossa vocação por hora delimitada pelo corpo, lembrada pela alma. O que ainda não sou já sendo. Tenho redescoberto a existência da comunhão. Lugar comum. Encontro. Transformação. Tenho me apaixonado de novo pelas mãos dadas, pelos corações próximos, pelo tempo partilhado. Há algo meu aí contigo. Por isso, se não for pedir demais, permita-me achar meu eu que está em ti.

Rafaelle Melo.