terça-feira, 22 de maio de 2012

Ciclo vicioso




Fechar ciclos, portas, livros para não fechar o peito, os olhos, o hoje. Fechar é a única forma de também abrir. Tão avessos e aversivos. A fuga pelo quarteirão interminável, o cachorro correndo atrás do rabo. Engraçado só se nas piadas de certos humorístas que chamam de comédia o drama. Acontece. Mas aqui dentro não mais. Ir para fora é uma necessidade básica, e arriscar é impulso vital. Podia não ser, tens razão. Mas é, e, assim sendo, nada se pode fazer a não ser ir, incompleto que seja, ir.
E é preciso ir sem possibilidades de voltar, sem enganações. Fui entender então que o relógio é um enganador da pior espécie: gira rotineiramente como se nada mudasse entre seus 3, 4, 5, a não ser a norma de, por vezes, lê-los 15, 20, 25... Tudo mentira. Entre os mesmos ponteiros e os mesmos números a indiscutível verdade: tudo passa. O ciclo não se repete, ele se re-inaugura em um novo dia, de um novo ano, de uma nova mesma vida.
Tudo bem, a culpa não é do relógio que está lá fazendo sua tarefa pontualmente e gastando sua bateria - meus olhos viciados são obrigados a assumir. 
Afinal, o que fazer com o que nada é e tudo pode ser? Conjugar o verbo em todas as suas alterações, concordante com o sujeito, passível de modificação nos predicados. Talvez seja isso. Conjunção de vida, cooabitação de existências, e o tempo passando de mãos dadas com o presente. Por hoje, tentarei ficar um pouco mais de mãos dadas com eles, talvez assim nossa amizade me des-ensine o que julgo que já sei.

Rafaelle Melo.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Tua exclamação.




Senhora das interrogações e sem hora para responder. Porque a vida é assim, tempo contínuo e espaçado apenas por respiros lentos que obrigamo-nos a ter. E eu respiro melhor no seu ombro. Mas, entenda, eu jamais poderei te explicar os porquês. O que eu sei é teu, nosso e tudo. Cada dia abro mão de uma fuga e vou me confundindo com você, e dessa bagunça eu não quero a infeliz obrigação de organizar. Ordem apenas para meus livros na estante, para meus apetrechos no armário e roupas na gaveta, pra você eu não posso me organizar demais, é que eu não posso me perder em catalogações de mim mesma, não posso me perder dos teus braços onde posso largar-me. Me abrace, isso, apenas me abrace. Eu sei que você sabe, sei desta tua sensibilidade bonita e acolhedora. Eu sei de você, e ainda tenho uma vida para descobrir. Mas, hoje apenas fique comigo e me sorria com exclamações, nesse teu jeito de me fazer perder o medo, nisto que eu reconheço como amor.

Rafaelle Melo