segunda-feira, 18 de junho de 2012

IN-TENSIDADE


"Não fechei os olhos, não tapei os ouvidos
Cheirei, toquei, provei,
Ah, eu usei todos os sentidos
Só não lavei as mãos e é por isso que eu me sinto cada vez mais limpo!"
("Daquilo que eu sei" - Ivan Lins)



Tensionada a corda afinada do instrumento musical vibra pelo ar, estremece produzindo ondas acolhedoras de sentido que após passearem pela caixa acústica interior amplificam vida. Ampliam forças, energias. Alcançam ouvidos, corações.
Há quem cale, e aí de nós se resguardamos nosso som tão raro, tão necessário aos ouvidos acostumados – a começar pelos nossos. E os meus não se acostumam nunca. Surpreendem-se com o mínimo dissonante, que se enovela em abraço auditivo. Assustam-se com sua própria potencialidade quase contagiosa de ir rompendo vácuos sem licença, mas ainda cheios de ruídos de incertezas. Porque o homogêneo é insosso e talvez até inexistente, mas os paradoxos são cheios do melhor sabor de ser humano, ainda que esse às vezes traga em si amarguras. É também sabor. É vida. É essência com a qual se nasce e para a qual se existe.
Essa linha tênue entre ser vontade e retenção. Entre linhas, entre tantos medos. Mas ser. Pois não há pra onde fugir: ou se arrisca ou se deixa correr o risco. O não querer qualquer estado in-cômodo e lançar-se em um vôo que faça justiça ao que há por dentro: compromisso que nos é feito como convocação, e confrontamo-nos.
Paradoxos e intencionalidades – eu sou. Braços estendidos, sem fronteiras. Deixando-me invadir sem me perder, me doando sem me subtrair. Em tensão contínua que dói e se contorce e reproduz.  Intenção apenas esta: não negar nem um segundo a mais, no mais belo e corajoso exercício de crer que é possível ir um pouco além da onde estou, intensamente, nunca impunemente.

Rafaelle Melo.

sábado, 2 de junho de 2012

Sem questionar.




Hoje eu te quero um pouquinho menos
E nem por isso deixo de amar você
Talvez eu te ame é mais
Mais e puramente como um diamante que perde lascas para ganhar em brilho.
Hoje eu acordei com uma dorzinha a mais
Lá no fundo, onde Deus mora em mim
Bebi minha humanidade em goles lentos
Hoje eu me perdoei sem questionar.

Rafaelle Melo.